Contra-Capa - #05
Velhos cadernos ainda guardam novas ideias em páginas ocultas.
Quando li O Pequeno Príncipe, um presente que minha namorada (hoje minha esposa) me deu lá em 2015, passei um bom tempo pensando naquela historinha e nos seus personagens. Na minha mente, todas as interações do menino acontecem com personagens femininas: uma rosa, uma raposa e uma serpente.
Passei um bom tempo reunindo poemas já escritos e escrevendo mais alguns outros, na tentativa de fazer uma dedicatória pessoal em forma de poesia, ofertada a cada uma dessas personagens que passaram pela vida do Príncipe.
Aqui estão quatro poesias, que encontrei em meus velhos cadernos, das quais seriam dedicadas para “Uma Rosa Orgulhosa”.
Aqua
Seja água.
Fria.
Refrigere e preencha
uma alma vazia.
Seja água.
Termal.
Rejuvenescente, quente,
de calor infernal.
Não apenas tempestade no copo,
seja também nuvem no topo.
Desça pela montanha
e alague o quintal.
Crie a correnteza,
ultrapasse a represa
e siga seu plano.
Seja como água livre,
como onda que vive
presa no oceano.
Choro Celeste
Porque a chuva chora
quando do céu mais alto,
vem surgindo de assalto
e começa a cair?
Porque a dama se demora
em descer de seu salto,
do céu cor de basalto
pra me fazer sair?
Porque quando ela vai embora
sem ao menos um arauto;
eu, sozinho, no asfalto
não consigo mais sorrir?
É porque não vejo a hora
de minha musa esperada,
se fazer anunciada
e vir então me visitar.
Porque ela sabe que lá fora
também é solicitada
e é pessoa agraciada
quem a pode encontrar.
Porque sabe que agora
uma vez já destinada,
não voltará à sua morada
pois quero fazê-la ficar.
Porque o mundo que ela explora
é uma caixa fechada
de temperatura elevada,
que só ela pode refrescar.
Frio
Frio uma linha de gelo no tear.
Irritadiça, quebradiça e difícil de remendar.
Minhas feridas abrem, não conseguem sarar.
Não há frios fortes que as possam costurar.
Em frio meus problemas
numa enorme geladeira.
Não deixe cair no fogo
ou poderão derreter.
Cala Frio!
Fala o povo que deseja ouvir o calor.
Extravio algumas chamas pra sentir o seu sabor.
Derretem em minha boca, se apagam num sopro
mas ardem geladas em meu peito e
aquecem o coração já morto.
Se já não posso me esquentar
sem mais alguém se queimar,
então bem devagar,
eu me vejo ex-friar.
Correnteza Sanguínea
O que corre neste sangue
vermelho?
Um torto e embaçado
espelho
da raiva,
que queima
vermelha,
que aquece e acende
a centelha
da chama que arde,
ilumina e incendeia.
O que corre neste sangue
rubro?
Neste rio que me conecta e liga
a tudo.
Em seu corpo e em sua mente
que estudo,
com vontade de saber
e procuro
ver o que corre dentro de você.
O que corre neste sangue
escarlate?
Que deseja que eu fique
embora eu me afaste;
que permanece, resiste
em meio a combates;
que mesmo fraco ou triste
tem força para um ataque:
De uma espada cortante.
De uma arma: um bang!
De um martelo pesado, impactante.
Forte, firme, sempre constante
Me diga, me ensine:
O que corre neste sangue?
Os poemas reunidos nesse “primeiro volume” são voltados a temas como separação, saudade e um coração partido. Obrigado pela leitura e espero que tenha gostado!






Que bonito, Carlos! E incrível vc ainda ter os poemas em cadernos por aí!